quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Ser feliz

Há muitas pessoas que não são felizes porque não têm onde dormir, o que comer, um trabalho,  etc..

Igualmente infelizes são aquelas pessoas que sofrem de doenças dolorosas crónicas ou incuráveis, de violência doméstica, têm um marido alcoólico, um filho drogado, etc..

Então, porque é que todas as outras pessoas não são felizes?

Como o ser humano é insatisfeito por natureza, as pessoas são cada vez mais ambiciosas, invejosas e maldosas.

Se o seu vizinho tem um BMW e você um Ford Fiesta (foi o que me ocorreu!), porque é que você fica com inveja dele? Também quer um BMW para o poder mostrar aos outros?!? Eu ficaria contente por o meu vizinho ter um bom carro. Se o tem é porque o pôde comprar.

A mania das grandezas é culpa da sociedade em que vivemos. Se a minha amiga tem roupa da marca X,  eu também posso ter!

Eu sempre tive possibilidades de comprar roupa de marca, mas sempre tentei não a comprar e por duas razões: primeiro porque não preciso de ter roupas de marca para me sentir bem e segundo porque eu não quero que ninguém se sinta inferiorizado perto de mim.

Tem casa? Tem saúde? Tem o que comer? Tem família? Tem trabalho? Então o que quer mais?!?

Ser feliz é, pois, para alguns, opcional. A felicidade não é um estado permanente, mas a atitude de acordar, sair para a rua com um sorriso e contagiar as outras pessoas com o mesmo é um começo! Eu sou feliz. Eu gosto de mim. Eu faço os outros felizes.

Em primeiro lugar, aprenda a gostar de si próprio. Se você não gostar de si mesmo, não terá auto confiança nem desenvoltura suficientes para ultrapassar os vários obstáculos que encontrará ao longo da sua vida e uma pequena pedra no seu caminho parecer-lhe-á um muro intransponível.

Se você gostar da sua pessoa (nunca em demasia!) estará pré-disposto a encontrar pessoas que gostem de si.

O seu chefe é chato e está sempre a reclamar consigo? Aprenda a tirar lições positivas das situações negativas. Deixe-o falar e sorria. Isso acalma. Tente sempre sair do local de trabalho e "desligar a ficha".

Aprenda a gostar de estar só e faça tudo para não se sentir só. Veja um filme,  ouça uma música ou vá dar um passeio. A solidão pode transformar - se num vício!

Todos nós temos saudades de alguém ou de algum acontecimento. Recorde as pessoas e as coisas boas com gratidão. Lembre - se que você está no presente e não pode alterar nem reaver o seu passado. Por isso, viva intensamente o presente. Hoje está cá.  Amanhã não sabe se estará.

Trate as pessoas da forma que gostaria de ser tratado por elas. Se elas não corresponderem o problema está nelas e não em si. Isto ajudá-lo -á a "separar o trigo do joio".

Não se faça de vítima. É aborrecido para os outros e negativo,  já que está a querer ser o centro das atenções pelos piores motivos.

Por outro lado, não queira ser o centro das atenções pois pode transformar - se num bobo da corte!

Aprenda a lidar com todo o tipo de pessoas e a compreender as diferentes realidades sociais. Você não é inferior ou superior a ninguém. Nem todas as pessoas tiveram as mesmas oportunidades.

Aprenda a ser feliz com o que tem! E, se puder, ajude os outros a serem felizes! Seja solidário!

Até breve e seja feliz!







quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Barcelona - uma cidade fantástica!

Olá a todos! Espero que tenham tido um bom início de ano e que 2016 vos traga muitas coisas positivas.

Eu decidi perguntar aos amigos temas para o meu blogue. Não que a inspiração me tenha faltado, mas acho importante ir de encontro aos gostos das pessoas. O tema "viagens" foi-me sugerido pela Manuela Barbot. Obrigada, prima!

A minha última viagem foi a Barcelona. É uma cidade que tem tudo: monumentos lindíssimos, museus maravilhosos, um mercado que dá água na boca (Mercat de la boqueria) e o mar.

Para além de tudo isto, os espanhóis são um povo alegre e as ruas mais "in" de Barcelona estão sempre cheias de movimento.

A presença humana em Barcelona data de 2.000 A.C.. No século I A.C. Os Romanos chegaram a esta cidade, a que deram o nome de Júlia Augusta Faventia Paterna Barcino on Mont Tàber (hoje o Bairro Gótico).

Eu optei por um hotel pertinho das Ramblas e da Praça da Catalunha. Esta é uma das praças principais e, de lá,  tem - se acesso a todo o lado: tem estação de metro, muitos autocarros e autocarros turísticos.

Eu fiquei no "Hotel Catalonia Ramblas", mas não faltam outros hotéis, igualmente bons, nas Ramblas.

Se você for a Barcelona fique pelo menos cinco dias inteiros para poder ver o mais importante.

Esta é a cidade de Gaudí.  Antoni Gaudí foi para Barcelona em 1868 para tirar o curso de arquitectura e permaneceu lá até à sua morte em 1926.

Gaudí embelezou Barcelona com as suas grandes obras: a Basílica da Sagrada Família (que começou a ser construída em 1882). Esta é a mais notável obra de Gaudí e as suas proporções são enormes. Foi lá que Gaudí passou os seus últimos quinze anos de vida. Está sepultado na cripta.

A Sagrada Família é uma obra magnifica e indescritível. Em 1936, durante a Guerra Civil Espanhola, este monumento foi atacado e sofreu um grande incêndio. Nesta catástrofe foram perdidos os documentos e planos de Gaudí e a igreja foi reconstruida mais inspirada na obra deste senhor do que nos seus planos.

Apenas a cripta e a fachada do nascimento foram declaradas património da humanidade pela UNESCO em 2005.

Também do mesmo arquitecto, as famosas Casas Batló e Milá (ou La Pedrera),  ambas no Passeig del Grácia. Esta é a avenida que tem as lojas mais caras de Barcelona como a Channel, a Cartier e a Gucci, entre outras.

A Casa Batló foi construída entre 1904 e 1906 e é património da humanidade desde 2004.

A Casa Milá (ou La Pedrera) foi edificada entre 1906 e 1911 e declarada como património da humanidade em 1984.

Outros exemplos de casas modernistas são a Casa Amatller,  da autoria de Josep Puig e Cadafaich, e a Casa Lleò Morera, de Domènec e Montaner.

Em 1900, Eusebi Güell pediu a Gaudí para desenhar o Park Güell. No início, a ideia era construir uma zona residencial para as pessoas da alta sociedade. Este parque é património da humanidade desde 1984.

Não se esqueça de visitar a Basílica de Santa Maria del Mar, uma esplêndida obra datada do século XVI.

Outro monumento a não perder é o Palau de la musica catalana. Este palácio foi construído entre 1905 e 1908 e é património da humanidade desde 1997.

A Catedral de la Santa Creu e Santa Eulàlia situa-se no Bairro Gótico e começou a ser construída no século XV. Foi graças a Manuel Girona, um comerciante que fez fortuna na América,  que esta catedral foi finalizada no século XIX.

Eu gostaria de destacar um museu - Museo Picasso - e uma fundação - Fundação Miró.

O Museu Picasso foi construído no Palácio de Aguilar (séc.  XII) e contém mais de 3000 obras do pintor.

Pablo Picasso nasceu em Málaga em 1881 e faleceu em Mougins,  França,  em 1973.

A Fundacion Joan Miró esta situada no Monte de Montjuic e foi inaugurada em 1975. A colecção de Miró foi doada por ele e inclui quadros,  esculturas, tecidos, cerâmica e esboços.

Joan Miró nasceu em Barcelona em 1893 e morreu em 1983 em Palma de Maiorca. Foi Doutor Honoris Causa pela Universidade de Barcelona em 1979 e recebeu a Medalha de Ouro das Belas Artes das mãos do Rei Juan Carlos em 1980.

O Hospital de La Santa Creu i Sant Pau foi inaugurado em 1930 e é uma obra dia arquitectos Domènech e Montaner. É património da humanidade desde 1997.

Não deixe de visitar o Mercat de la boqueria e de se deliciar com os produtos frescos e lindamente expostos.

Para terminar eu gostaria de vos falar da zona das Ramblas. É uma das áreas mais emblemáticas da cidade, onde se encontram pequenas lojas dos dois lados da parte pedonal.

Quem desce as Ramblas encontrará uma zona exclusivamente dedicada às flores.

Quase no inicio das Ramblas encontra a Font de Canaletes. Segundo a lenda, quem beber água daquela fonte enamorar-se-á de Barcelona e voltará lá.
Nesta zona poderá visitar o Mercat de la boqueria,  a Font de Canaletes,  a Casa Bruno Cuadros,  a Casa Figueras,  o Grand Teatre del Liceu,  etc.

Os caneletes são bonecos de barro pintados e com o rabo à mostra. São típicos de lá e há caneletes para todos os gostos: Madonna,  Messi,  Angela Merkel, Freddie Mercury, etc.

Boas viagens e até breve!

Fontes: soldebarcelona.es
wikipedia.org;
livro "Barcelona", de John Lafond;
livro "Miró", da Equipo Tikal;
livro "Basilic of the Sagrada Familia", de Jordi Bonet e Armengol;
livro "Antoni Gaudí - sus obras en Barcelona", das Dosdearte Ediciones.








domingo, 3 de janeiro de 2016

Os filmes das nossas vidas - Parte I

Olá,  amigos! Eu espero que o vosso ano tenha começado bem e com saúde.

Eu pedi a alguns familiares e amigos para me indicarem os filmes que marcaram as suas vidas. Cá estão eles!

- "O clube dos poetas mortos" e "Cinema Paraíso"
Teresa Pina

- " Janela indiscreta" e " A festa de Babette"
Helena Matos

- " O clube dos poetas mortos" e "Philomena"
Fátima Barbot

- "Novecento" e "Toute une vie"
Pedro Aroso

- "O fabuloso destino de Amélie" e "Amigos improváveis"
Manuela Barbot

- "A Lagoa azul" e "Maléfica"
Ana Maria Rosa

- "Underground" e "A residência espanhola"
Pedro Nuno Vitorino

- " A amante do tenente francês" e "Filadélfia"
Lucília Girante

- "Voando sobre um ninho de cucos" e "Easy Rider"
Pedro Barbot

- "Música no coração" e "Jesus Christ Superstar"
Rosarinho Cruz

- "E tudo o vento levou" e "My fair lady"
Maria Victória Rowcliffe

- "Cleópatra" e "Doutor Jivago"
Maria Clara Carneiro

- "Amigos improváveis" e "Casablanca"
Telmo Campos e Matos

- "Magnólia"
Fátima Martins

- "ET" e "Casablanca"
Cristina Alves

- " A vida é bela" e "Cinema Paraíso"
Alzira Carvalho

- "O piano" e "Trainspotting"
Eu

Em fins de semana de Inverno não há nada como ver um bom filme numa sala de cinema ou em casa. Se perdeu algum destes filmes procure-os no vídeo clube da sua televisão.

Eu só não vi os que o Pedro Aroso aconselhou,  mas vou ver!

Bons filmes e até breve!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

2016 na corda bamba

Olá! Espero que tenham tido um bom Natal.

Com o aproximar do novo ano vemo-nos "obrigados" a fazer planos. Isto porque pensar no ano velho leva-nos a reflectir sobre o que devíamos ter feito e não fizemos e sobre as coisas que não correram tão bem como gostaríamos.

Eu não sei porquê mas, ao recordar o ano que está prestes a acabar, somos bombardeados por uma série de pensamentos negativos como se o mesmo tivesse sido um fardo.

No entanto,  agimos como se tivéssemos uma varinha mágica que, à meia-noite do dia 31, tornasse todos os dias do novo ano em dias cor-de-rosa.

2016 será o ano de todas as mudanças: deixaremos de fumar,  de comer muitos doces, faremos mais exercício físico, etc.

Será?!? Conseguimos concretizar os planos que fizemos para 2015? Ou será que, em vez de comermos as doze passas ao bater da meia-noite,  só conseguimos engolir onze e o feitiço foi quebrado? E quem não gosta de uvas passas? Será que entrámos em 2015 com o pé esquerdo em vez do direito?

O novo ano começa cheio de esperança. Em festas ou na quietude do lar não há quem não o veja como uma mudança.

Na minha opinião,  o ano novo não é mais do que a continuação do anterior. É claro que tudo farei para que seja um ano bom para mim, para as pessoas que me rodeiam e para aquelas que, anonimamente,  ajudo.

Um 2016  cheiinho de coisas boas e sejam solidários!

Deixo - vos com um excerto de um poema de Luís Vaz de Camões.

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.
(...)"







segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Um conto de Natal

Olá a todos! O meu blogue tinha "encerrado para férias",  mas a vontade de escrever "rodou a maçaneta da porta".

O meu último artigo "O Natal do outro lado do espelho" foi lido por 143 pessoas. Agradeço a todos os familiares e amigos que, com a sua leitura, opinião e partilha, contribuiram para a evolução, divulgação e crescimento do blogue.

"A casa amarela sobressaía na paisagem de nuvens brancas que pintavam a calçada e árvores salpicadas de flocos de neve.

A noite galgava os montes e vales e deixava a descoberto as luzinhas que, sorrateiramente, espreitavam pelas janelas de portadas verdes abertas de par- em - par para deixar entrar o Natal.

O perfume da farta doçaria espalhava - se pelas salas e corredores. Era um gosto ver aquela sopa dourada e dava vontade de, disfarçadamente, mergulhar o dedo, lambê-la e alisar a superfície. Os mexidos, o pudim de Abade de Priscos e os sonhos diziam "comam-me" em silêncio.

A lareira acesa polvilhava a casa com conforto e luz.

Há muito tempo que a mesa estava toda aperaltada com uma toalha de linho branca bordada com azevinhos.

As pessoas começavam a chegar e a ocupar as elegantes cadeiras de pescoço comprido e lustroso.

As crianças esperavam ansiosamente a vinda do Pai Natal, enfiadas em bonitos vestidos e calções.

No gira - discos rodava um LP de música de Natal, que a dona da casa trouxera de Londres.

As empregadas, de batas pretas e aventais branquinhos, depressa encheram a mesa de travessas onde o bacalhau,  as couves, as cenouras, as batatas e os ovos cozidos abundavam.

- Podem começar a comer,  disse a avó,  colocando o guardanapo no colo.

Agora a música já tinha sido abafada pelas vozes.

As crianças limparam os pratos rápidamente e sem reclamar;  tudo pelas prendas que um senhor muito,  muito velhinho,  mas ainda muito forte,  mais tarde traria.

Depois do jantar,  jogaram ao loto e os meninos e as meninas cantaram canções que tinham ensaiado com afinco.

- Agora, interrompeu a avó,  vão todos comigo à cozinha.

A mesa estava repleta!

- Mas, avó,  nós já jantámos!, exclamou o Manuel.

- Sim, disse a avó, e continuou: - Peguem nas travessas e vamos à salinha.

A salinha, outrora albergava um piano, uma mesa de xadrez,  um banquinho e um sofá.

Quando a porta se abriu depararam - se com uma mesa toda janota,  à volta da qual estavam sentadas umas vinte pessoas.

- Boa noite a todos!, disse, alegremente,  a avó.

As pessoas de unhas negras, cabelos desalinhados e roupas coçadas retribuiram o "boa noite" com o olhar pousado na comida.

- A partir de hoje e sempre neste dia
teremos estes amigos a jantar cá em casa, explicou a avó. - Bom apetite e um feliz Natal!

A aldeia cobrira-se,  entretanto,  de uma espessa camada de neve. O sino da igreja cortava o silêncio da noite anunciando a missa do galo. O Natal tinha finalmente chegado."

Um Natal muitoooooo feliz para todos!













sábado, 5 de dezembro de 2015

O Natal do outro lado do espelho

O Natal, é uma época festiva que me deprime, contrariamente à maior parte das pessoas.

Para mim o verdadeiro Natal era a época das prendas colocadas no sapatinho,  em que a excitação era tanta que eu e a minha irmã acordavamos às seis da manhã e desciamos as escadas a correr para vermos o que o Pai Natal nos tinha trazido.

Nesses Natais, e ainda criança, eu não pensava nas pessoas que passam o Natal sós, nos sem - abrigo...

O significado do Natal mudou muito! Não é a altura em que o menino Jesus nasceu, mas um espírito demasiado consumista que põe as pessoas stressadas à procura de presentes!

Mas qual é o significado disto tudo? As pessoas gastarem o que têm e o que não têm, enquanto outras não têm o que comer?!?

Eu não sou uma pessoa pessimista; sou realista.  A minha realidade é positiva, mas os meus olhos estão bem abertos para outras realidades bem diferentes.  E ainda bem!

Às vezes, nesta altura,  as pessoas são invadidas por uma onda de solidariedade e dão brinquedos e roupas usadas aos pobres. Eu admiro,  sem dúvida,  esta atitude das pessoas mas,  acho lamentável que no resto do ano ninguém se lembre das pessoas que nada têm.

Estes comentários não fazem de mim qualquer espécie de santa!  Mas eu acho louvável o facto de ainda existirem pessoas que, várias vezes por semana, abdicam do seu tempo livre para irem dar de comer e agasalhos aos mais necessitados.

Sempre que derem roupa e brinquedos pensem se os gostariam de receber. É que dar o que já não presta para nós não é dar. As outras pessoas são pessoas como nós. A diferença está nas oportunidades que foram dadas a umas e não a outras.

Façam no vosso dia a dia algo de bom para as pessoas menos afortunadas e verão que, quando chegar o Natal, sentir-se-ão muito mais enriquecidos por dentro.

Um bom Natal para todos!

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A perda

Olá!

Hoje vou abordar um tema que é triste para todos nós: a perda de alguém que foi muito marcante na nossa vida.

Uns perderam o pai, outros a mãe (como eu), um filho, um amigo de longa data... A verdade é que quanto mais envelhecemos mais pessoas perdemos.

Mas, num momento de uma dor e um vazio enormes, o que devemos fazer para andar para a frente?

O tempo requerido para o "luto" (fase de maior sofrimento) e a maneira de vivê-lo depende muito das circunstâncias da perda,  do significado desta para a pessoa, do seu modo particular de lidar com situações de crise,  do apoio disponível no seu meio familiar e social,  das suas crenças e outros aspectos.

A recuperação de uma perda significativa leva de alguns meses a dois anos e, mesmo aí, alguns aspectos podem continuar não muito bem resolvidos.

Mas, além da tristeza,  as situações dolorosas podem fazer com que descubramos em nós mesmos forças antes desconhecidas, levar-nos a repensar as nossas vidas e os nossos valores, passando a perceber o que é realmente importante é o que é supérfluo,  e podem transformar-nos em pessoas mais ricas espiritual e emocionalmente.

Algumas sugestões que podem ajudar nesta fase difícil:

1 - Fale sobre a sua perda e a sua dor. Não esconda as suas emoções e, sobre tudo, não sofra sozinho.

2 - Enfrente o sentimento de culpa (há sempre coisas que achamos que devíamos ter feito e não fizemos).

3 - Trabalhe os sentimentos de raiva e revolta, aceitando-os. Irão desaparecer com o passar do tempo.

4 - Idealização - Há uma fase em que vemos a pessoa que partiu como perfeita. Com o tempo,  começará a vê-la como um ser humano real, com as suas qualidades e defeitos.

5 - Não se isole - Mesmo que não lhe apeteça,  procure a companhia de amigos. Você não está só e a companhia dos outros é muito benéfica.

6 - Mudança de valores - Depois de uma grande perda,  as pessoas têm a tendência a repensar os seus valores e reavaliar os seus objectivos de vida. Muitas vezes, estas mudanças são positivas.

7 - Nunca mais serei o mesmo - Este pensamento pode bem ser real, o que não significa que não possamos voltar a ser felizes. O melhor é trabalhar, superar a fase da revolta e da mágoa e decidir que se pode e deve viver o melhor possível.

8 - O primeiro ano após uma perda, geralmente não é um período adequado para tomar decisões importantes ou fazer grandes mudanças,  uma vez que uma pessoa amargurada tem a capacidade de julgamento diminuída.

9 - Reserve períodos e um local para as lembranças - Não fique o tempo todo a pensar na pessoa que partiu e a ver os seus objectos. Não os deixe espalhados. Coloque-os numa caixa ou num armário. Tente reservar um período específico do dia para pensar nessa pessoa e ver os seus pertences. Não há nada pior do que uma tristeza contínua.

10 - Prever dias e datas difíceis - Em dias como o nascimento e a morte da pessoa, no Natal, etc, não se isole. Esteja em companhia de pessoas que o/a estimem.

11 - Sentir culpa por se sentir bem - É comum as pessoas recusarem convites de amigos ou evitarem actividades agradáveis após uma grande perda. Perceba que se divertir não é deslealdade para com a pessoa que morreu. Muito pelo contrário;  essa pessoa quer, de certeza, que você esteja bem!

12 - Reajuste-se à vida e ao trabalho - Tirar uns dias para descansar é normal,  mas retome as suas actividades logo que possível. Elas são importantes para a sua recuperação.

13 - Liberte-se de expectativas irreais - Acreditar que a vida poderia ser diferente, não envolvendo sofrimentos e perdas é irreal, só traz revolta e prejudica - nos. Ninguém passa por situações que não mereça e estas contribuem para o nosso crescimento e fortalecimento.

14 - Integrando a perda - As pessoas têm que pôr de lado as perguntas relacionadas com o passado (porque é que isto aconteceu comigo/com ele/com ela?) e pensar: agora que isto aconteceu o que posso e devo fazer? / O que posso fazer para me sentir melhor?

15 - Um pesar excessivamente longo - Quando um sofrimento excessivo consome alguém por mais de um ano, geralmente o problema principal não é a perda em si, mas algum outro aspecto que é necessário conhecer. Muitas vezes isto acontece quando havia uma dependência excessiva em relação à pessoa que partiu,  quando a culpa é um componente muito forte na situação,  quando os problemas emocionais pessoais foram aumentados ou reforçados pela perda ou por outras razões significativas.

16 - Procure ajuda profissional,  se for necessário.

"Num deserto sem água,  numa noite sem lua,
Numa terra nua, por maior que seja o desespero,
Nenhuma ausência é mais profunda que a tua. "
Sophia de Mello Breyner Andresen

Fontes: Eu e psiqweb.med.br. (adaptado).

Até breve!