terça-feira, 13 de outubro de 2015

Pequena homenagem a poetas brasileiros

Olá! Em primeiro lugar, eu quero dedicar a citação que se segue a todas as pessoas que lêem o meu blogue:
" Aqueles que passam por nós,  não vão sós,  não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós."
Antoine De Saint Exuspéry (1900/1944)

Hoje decidi voltar à poesia, "atravessando o Atlântico", para vos dar a conhecer alguns poetas brasileiros.

" Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu.
Ah, quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é
Melhor que a solidão
Abre os teus braços,  meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já nem quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração,  esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão,
Nunca vai ter nada, não."
Vinicius de Moraes (1913/1980)

"Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh,  não se esqueçam
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atómica
Sem cor, sem perfume,
Sem rosa, sem nada."
Vinicius de Moraes

"Amar o perdido
Deixa  confundido
Este coração.

Nada pode o olvido
Contra o sem sentido
Apelo do Não.

As coisas tangíveis
Tornam - se insensíveis
À palma da mão.

Mas as coisas findas
Muito mais que lindas,
Essas ficarão. "
Carlos Drummond De Andrade (1902/1987)

"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava,  ignorante,  a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a,  branca, tão pegada,
Aconchegada nos meus braços,
Que rio e danço e invento
Exclamações alegres,
Porque a ausência,  essa ausência assimilada,
Ninguém a rouba mais de mim."
Carlos Drummond De Andrade

"De que são feitos os dias?
- De pequenos desejos,
Vagarosas saudades,
Silenciosas lembranças.

Entre mágoas sombrias,
Momentâneos lampejos:
Vagas felicidades,
Inactuais esperanças.

De loucuras, de crimes,
De pecados,  de glórias
- Do medo que encadeia
Todas essas mudanças.

Dentro deles vivemos,
Dentro deles choramos,
Em duros desenlaces
E em sinistras alianças..."
Cecília Meireles (1901/1964)

"Cabecinha boa de menino triste,
De menino triste que sofre sozinho,
Que sozinho sofre, - e resiste,

Cabecinha boa de menino ausente,
Que de sofrer tanto se fez pensativo,
E não sabe mais o que sente...

Cabecinha boa de menino mudo
Que não teve nada, que não pediu
Nada,
Pelo medo de perder tudo.

Cabecinha boa de menino santo
Que do alto se inclina sobre a água do
Mundo
Para mirar seu desencanto.

Para ver passar uma onda lenta e fria
A estrela perdida da felicidade
Que soube que não possuiria."
Cecília Meireles

"O que quer dizer diz.
Não fica fazendo
O que, um dia, eu sempre fiz.
Não fica só querendo, querendo,
Coisa que eu nunca quis.
O que quer dizer, diz.
Só se dizendo num outro
O que,  um dia, se disse,
Um dia, vai ser feliz.
Paulo Leminski (1944/1989)

"Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
Preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?"
Paulo Leminski

E despeço - me com uma escritora e jornalista que nasceu na Ucrânia em 1920, mas viveu e morreu no Brasil (1920/1977):

" Até onde posso vou deixando
o melhor de mim...
Se alguém não viu,
Foi porque não me sentiu
Com o coração."
Clarice Lispector









3 comentários:

  1. Lindas !!! Bela escolha! E segue o link da primeira, musicada: https://www.youtube.com/watch?v=oIelCdlc0hA

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  2. Fico contente por você ter gostado, Erivelton! Muito obrigada pelo link da música! Eu já a conhecia porque eu adoro música brasileira. Abraço. Clara

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